Tuesday, 20 June 2017

1135. For Martha - The Smashing Pumpkins



whenever I run
wherever I run to you lost
it's never done
just hanging on
the past has let me be
returning as if dream
shattered as belief

if you have to go, don't say goodbye
if you have to go, don't you cry
if you have to go, I will get by
someday I'll follow you and see you on the other side

but for the grace of love
I'd will the meaning of
heaven from above

but for the grace of love
I'd will the meaning of
heaven from above

your picture out of time
left aching in my mind
shadows kept alive

if you have to go, don't say goodbye
if you have to go, don't you cry
if you have to go, I will get by
I will follow you and see you on the other side

but for the grace of love
who'd will the meaning of
heaven from above

long horses we are born
creatures more than torn
mourning our way home

1134. Something - George Harrison





Something in the way she moves
Attracts me like no other lover
Something in the way she woos me
I don't want to leave her now
You know I believe and how

Somewhere in her smile she knows
That I don't need no other lover
Something in her style that shows me
I don't want to leave her now
You know I believe and how

You're asking me will my love grow
I don't know, I don't know
You stick around and it may show
I don't know, I don't know

Something in the way she knows
And all I have to do is think of her
Something in the things she shows me
I don't want to leave her now
You know I believe and how

Monday, 19 June 2017

1133. Chamar a música - Samuel Úria





Esta noite vou ficar assim
Prisioneira desse olhar
De mel pousado em mim
Vou chamar a música
Pôr à prova a minha voz
Numa trova só pra nós

Esta noite vou beber licor
Como um filtro redentor
De amor, amor, amor
Vou chamar a música
Vou pegar na tua mão
Vou compor uma canção

Chamar a música
A música
Tê-la aqui tão perto
Como o vento no deserto
Acordado em mim
Chamar a música
A música
Musa dos meus temas
Nesta noite de açucenas
Abraçar-te apenas
É chamar a música

Esta noite não quero a TV
Nem a folha do jornal
Banal que ninguém lê
Vou chamar a música
Murmurar um madrigal
Inventar um ritual
Esta noite vou servir um chá
Feito de ervas e jasmim
E aromas que não há
Vou chamar a música
Encontrar à flor de mim
Um poema de cetim

Chamar a música
A música
Tê-la aqui tão perto
Como o vento no deserto
Acordado em mim
Chamar a música
A música
Musa dos meus temas
Nesta noite de açucenas
Abraçar-te apenas
É chamar a música

Saturday, 3 June 2017

1132. Armelim de Jesus - Samuel Úria



Um coração hospitaleiro
Deve ser aberto
E a grande cicatriz no peito
É de homem inteiro.
Teve na boca a Palavra,
Nas mãos calçadeira,
Que andar junto aos pés do homem é coisa cimeira.

Foi assim Armelim.
Ainda que estranho, era o nome de um homem honrado.
Armelim não tem fim
Que há nomes tão fortes que a morte só leva emprestado.

Severo quando ser severo
É ser-se acertado.
Tão recto que um fio de prumo
fica embaraçado.
Deu aos seus braços a forma de quem abriga;
Deu o seu lugar a todos menos à fadiga.
Vestiu os pés de toda a vila,
Mas vestiu também o chão
Com essas grandes pegadas do seu coração.

Foi assim Armelim.
Ainda que estranho, era o nome de um homem honrado.
Armelim não teve fim
Que há nomes tão fortes que a morte só leva emprestado.

Só tinha um sobrenome mas bem o dizia
Quando alguém lhe perguntava a quem ele servia.
Chegou-me esse nome por sangue materno,
Mas também pela opção
De ir pelas mesmas pegadas que aquele coração.

Thursday, 1 June 2017

1131. Cabra-cega - Márcia



Zero a zero, não me espanta o impasse
Se você quer, escondo o medo sem mostrar como o faço
No entanto amargo a cada som que não me sai, que adormeço
Tenho cara de quem morde mas apenas sou o que mereço
Uma oração pra perder o meu embaraço
Em hora sã hei-de por termo ao que só me traz cansaço
A cada cara à minha volta que me fita só que eu não posso ver
Que tem a fé num perfeito que eu não sei fazer
E eu sei de mais ou menos cem
Quiçá eu não apareço hoje....
Quero ficar bem a sós
Amuada no meu canto e a aquecer a voz.

Eu sei que é fácil de montar o aparato da menina que é culta
Mas também, sorrir sai mais barato que cuspir pensamentos à solta
E olha quem, tem a fome da sinceridade ao menos não te dei a volta
E eu não volto a jogar à cabra-cega com usted

Nunca sei porquê o maltrato é um unguento
Que sem ninguém ver vai guardando cimento
A cada cara à minha volta vou lhe dizer só que eu não posso mais...
Quero sedar o meu som confinar-me a afinar em silêncio

Eu sei que é fácil de montar o aparato da menina que é esperta
Mas também, fugir pra ti faz parte de investir na pessoa certa
E olha quem vem agora pra ficar é que eu ao menos não deixei aberta
A minha porta a ver quanto tempo sobra pra quem vem
A minha porta a ver quanto tempo sobra

Eu sei que é fácil de montar o aparato da menina que é culta
Mas também sorrir sai mais barato que cuspir pensamentos à solta...
E olha quem tem a fome da sinceridade ao menos não te dei a volta
E eu não volto a jogar à cabra-cega com usted
E eu não volto a jogar à cabra-cega (x4)

Monday, 29 May 2017

1130. Repressão - Samuel Úria



Misturar saber
Com opinião,
O ditar pró lado,
Tripas coacção.

Confundir o bem
Com não ser vilão,
Tatuar cartilhas,
Cábulas na mão.

Repressão!
Repressão!
Grita-se à toa.
Qualquer causa é boa num refrão.

Repressão
Se é gourmet
Serve a Lisboa.
Qualquer moda é causa num refrão.

Retirar prazer
De uma maldição:
Fé no bumerangue,
Karma pra canhão.

Afirmar sem crer
Autos em canção.
Já nem distinguir
Entre circo e pão.

Repressão!
Repressão!
Grita-se à toa.
Qualquer causa é boa num refrão

Repressão,
Se é gourmet,
Serve a Lisboa.
Qualquer moda é causa num refrão.

1129. Aeromoço - Samuel Úria



Há quem use “singular”
Como um eufemismo prá tua condição.
Sai lá do chão.

Um em cada todos é
Lobo solitário e preso por ter cão.
Sai lá do chão.

O mundo não te foi escutar, o mundo perdeu a razão,
O mundo é só o embaixador do chão.
Mas tu és melhor.
Volta lá ao teu primeiro amor.

Não se espreita o teu valor
Pela claraboia no furo de um tostão.
Sai lá do chão.

Já não dá para descer mais,
Bem-aventurado quem está no alçapão.
Sai lá do chão.

O mundo que te fez chorar não quis ouvir-te em contramão;
O mundo é só uma sucursal do chão.
Mas tu és melhor.
Volta lá ao teu primeiro amor.

O mundo nem te agradeceu p’las graças dadas em canção.
O mundo é só o gentílico do chão.
Mas tu és melhor.
Mas tu és melhor!
Mas tu és melhor!
Volta lá ao teu primeiro amor.